quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Pedacinhos

A sede, a fome... uma vida de acesso de asma, um aneurisma e meu crânio incha como um pagão aos pés de Jesus. Eu sou um que sabe odiar e mentir. Fantasiado de porco-divino-faraó-do-chiqueiro com uma coroa feita de colheres. Renasço, Frankenstein... Falsa carne, falsos ossos... Milhares de seres-objetos- a histeria- bambolês presos em arvores - porcos amarrados pelos joelhos – jarro de poesia - as mais belas ruas de Paris – Paquiderme castrado - céu de um morcego – todas as semelhanças entre um ataque epilético e o sexo perfeito. Levo todas as armas para a minha casa. Mantenho minha garota a salvo. Me iluminava tanto que me cegou. Eu tinha meu nome escrito nas linhas mais tortas. Me xingava até os ossos, a minha alma oval. Arranjei um emprego, perdi seu tempo, arrumei uma briga, perdi dinheiro, vendi seu rim, perdi peso, perdi dinheiro, me masturbou na cozinha, somos felizes.


O nome desse quadro é "Deus".

domingo, 8 de novembro de 2009

Escapulas

As escapulas saltavam de suas costas como se fossem asas prestes a furar a pele. Eu olhava de longe enquanto tomava um café frio e sondava uma cerveja quente. O lençol sobre a cintura, e aquelas pernas admiravelmente brancas... Uma esticada e a outra dobrada formando um 4. Todas as noites meus dedos abrem caminho pelos seus cabelos. Qualquer brecha no seu olhar me procura. Ela tinha amigos imaginários quando era pequena e hoje, depois de tanta terapia, ela não pode mentir para si mesma, não pode inventar algo patético para se vangloriar. Teve sorte algumas vezes, nada em especial... Nenhum dia perfeito. No meu coração ela é uma estrela, e aqueles olhos grandes castanhos que iluminam esse lugar. Eu acho que já a vi sorrindo, que eu já a fiz sorrir. Tudo o que digo, eu digo honestamente... Somente uma vez. E conhecendo todos os seus segredos, acho que posso dizer que ela não vai se surpreender se eu a deixar de lado.











O nome desse quadro é "Ossos" feito em outubro desse ano com óleo e aquarela.










Sonic Youth - Hey Joni

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Novela IV

Já fazia 45 dias desde aquela noite. Eva não deu sinal de vida e isso me deixou meio atordoado. Não que eu já estivesse “apaixonado” ou coisa assim. Eu tinha ficado cinco meses sem comer ninguém e até que eu estava acostumando, mas depois daquela noite percebi que faz falta. Passei dois dias de bom humor, até arranjei um emprego temporário em uma fabrica de garrafas plásticas. Trabalhei três semanas e ganhei R$500,00.
Bom, tinha sido só uma noite. Ela era uma gata de peitos vulcânicos. Eu estava com vontade de falar com ela, sair, tomar umas... Esse tipo de coisa.
Eu pedi o telefone dela para a boxeadora que ainda estava saindo com o Edivaldo. Ela usou aquelas mãos enormes de gorila para escrever em um guardanapo e me entregou. Eu liguei, ela disse que estava viajando e que ia me ligar quando voltasse e que a gente ia sair e que ia me pagar uma dose de Jose Cuervo e ela foi tão clara nas palavras que eu não entendi nada da conversa.
Desencanei. Tomei três cervejas e comi uma omelete. Sai de casa. Descendo a Augusta olhei para a direita quando passava na porta de um bordel chamado Las Jegas e vi uma mulher correndo nua lá dentro. Os seios moles balançando e uma cicatriz roxa de cesariana, ela era mais porca que jega.
Fiquei com dor no joelho e parei em um bar aleatório. Ouvi alguém me chamar, era o cara de cabelo moicano que tinha ido uma vez em casa. Ele estava com duas garotas e tinha uma cadeira vaga... Eu fui e me sentei. Uma obviamente estava com ele. A outra era bonita e estava avulsa, não bebia só fumava.
Eu nunca fui bom com conversas, e quando a conversa era com mulheres bonitas que eu não conhecia... Eu ficava meio nervoso. E ficar nervoso me deixava irritado. Irritação + nervosismo + cerveja, criou nela uma antipatia instantânea. Ela dava respostas atravessadas e mal educadas em tudo que eu dizia... E paciência nunca foi um ponto forte meu. Então fiquei quieto e me concentrei na cerveja.
Eu não prestei atenção e não sei como o assunto caiu em big brother. Ela disse que havia feito o vídeo de inscrição no BBB e que estava confiante. E eu respondi “BBB? Biscate de buteco barato? Acho que você tem boas chances!”. O moicano e sua garota riram, e ate eu achei uma boa tirada! Ela ficou possessa... Não sei o que ela estava fumando, mas não ajudou em nada para ela se acalmar. Jogou o cinzeiro que bateu no meu peito, o copo vazio na sua frente passou perto da minha orelha. Eu pedi para ela se acalmar, usando toda a serenidade possível... Com um tom de voz estilo Mallu Magalhães. Ela jogou a garrafa de cerveja, ela bateu bem no meio da minha testa e caiu no chão sem quebrar. Eu apaguei por uns três segundos, acordei a tempo de sentir minha cara batendo no chão e se danificando mais que a garrafa.
Eu levantei, estava sangrando e sujando minha única camiseta que ainda não estava furada. A garota ainda estava furiosa e ate o moicano estava ameaçando engrossar comigo. Mandei os dois à merda e sai do bar sem pagar. Tem dia que você tem que sair de casa com três pedras em cada mão e não pensar duas vezes antes de sair atirando. Tomanocu.








O nome desse quadro é "Ranaldo!" feito com óleo e aquarela.



Bom, se alguém se interessar por algum quadro. Ou quiser mandar uma foto para ser pintada. Quadro é um presente legal, impressiona as mulheres... Faz elas pensarem que você sabe ler e escrever! Preços camaradas! Contato- grunge85sp@hotmail.com

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Zoroastra Periplanetária

Bom, eu não sou muito de me promover. Até pelo contrário. Mas dia 07, 08 e 09 de outubro alguns quadros vão estar expostos no Outs. To falando porque provavelmente vão ser a primeira e ultima exposição que vou fazer na vida. Juro que só volto a me auto promover ser eu me candidatar a alguma coisa ou se publicarem algo meu (mais provável a política do que a literatura).A entrada é Free quarta e quinta... sexta vai rolar um show da banda Medulla e outras que não conheço, então vão cobrar ingresso. Logo se não forem eu compreendo.Breja garrrafa R$ 4,50, Litrão R$ 6,00.Eu vou estar La na quarta das 22 as 23. Na quinta das 21:30 as 23. E na sexta das 20 as 23. Então se alguém quiser colocar a conversa em dia ou me pagar uma cerveja ou me serrar uma breja. Esse é o horário.Os quadros são os mesmos que vez ou outra coloco aqui. Sem novidades quanto a isso.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

All Star, Mal Estar

Vejo-me tal como sou hoje, porém bastante mais idoso. Agora só havia a chuva, um silêncio imenso. Amor, amor... Tudo de estimação. Isso começa a soar familiar. Sinto em mim uma força heróica, e quero desenvolvê-la com tanta potencia que acabarei por não temer mais nada. Dissolva-se portanto, a minha vida. Do ultimo verso que eu fizer no mundo, feito como é feito a aguardente. Mãos de ninfa, de gueixa, de fada, de vidente... todas pobres enroladas em seda... Virgens e mortas. Assim deixava nascer em mim o desejo, cada vez mais desejo e uma infinita insaciabilidade. Forças irracionais se apoderavam de mim e uma fútil loucura acentuava e desabrochavam a minha excentricidade. Não tenho a menor idéia do que poderia ser isso que me causa tão acentuado mal estar que, pelo que prevejo (e vejo pelos olhos... já que antes de eu pensar ela já sabe em que pensei) somente cederá depois que eu conhecer a razão. Não falo disso. Naquela noite a lua arrasou com todos os gatos doentes. O pulmão cheio de sangue me matava de medo. É melhor você se confessar, ela começa a mentir, e eu já vi como ela age. Ela gosta de pensar que pode tudo, mesmo sendo tão frágil, mesmo tendo o gosto do mar.





O nome do quadro é "Fat Old Buk" Feito de aquarela e óleo.

domingo, 30 de agosto de 2009

Falando Sério

O lixo está cheio de garrafas vazias. Tudo igual como era antes. Mesmo assim você volta. Me sorri com os olhos, abre a janela e ilumina a casa... E me ilumina. Eu passava bastante tempo escrevendo ou pintando. Ela gostava desse tipo de coisa... Tipo cultura. Mas a TV quebrada e as paredes úmidas vão podando os seus sorrisos. Perde a paciência a cada meia hora, o dia te sufoca. A desordem do quarto, a louça suja sobre a mesa... O juízo indo pro ralo. Os velhos hábitos são os mais difíceis. Doze horas de dores no rim, sinto náuseas. Indiferente, se cala e se rende... À tarde... Ao tédio. Eu estava sempre lá... Eu a seguia tão perto que pisava nos seus calcanhares. Mesmo assim quando ela quis ir não fiz nada para evitar. Agora o lixo esta se enchendo de garrafas novamente, e eu tomei oito copos de café, eu terei uma overdose de cafeína, eu vou morrer. Mas um dia ela vai voltar... Para sorrir e me iluminar. Ela vai afastar a dor, esse cão vadio... Vai me encher de amor.








O nome do quadro é "O Leproso" Feito em óleo dia 22/08/09.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Quase Literal

Merda... menos que um cão, já que ele tem os dentes melhores que os meus. Sou aposentado com saúde. E vivo na cruz que me é mais conveniente. Respiro. Pisco os olhos periodicamente. Captopril, Prozac, Viagra, Tylenol... tudo com recomendação médica. Perdi 12Kg depois que comecei a comer coisas vegetais e frutas... Agora estou com 42 kilos. E mesmo no auge da minha magreza ainda sou mais imperialista que um gorila macho (ou os bigodes de Dali). Sou perseguido e cortejado por ladrões, traficantes, bêbados, policiais corruptos, moradores de rua, freiras, falsificadores, comunistas e donas de casa, todos me pedindo, me roubando e me apalpando. Visito quinzenalmente minha psiquiatra que tenta desesperadamente fazer com que eu pisque os olhos novamente. Espumo constantemente de minha bolha de sangue de menino... Mina em lagrimas... Mas sempre fria e estática, a concha que eu amo. Agora é só terminar sozinho. Magro, doente, careca, barrigudo e com a ponta dos dedos amareladas. Quando ela chega no quarto diz as palavras mágicas para me fazer sair da cama. “Seu cu de porco desgraçado! Vou te ensinar a não dormir com cigarros acesos na mão e olhar na porra dos dois lados antes de atravessar a rua!”. A vida é uma sacanagem de merda. E amanhã ela vai voltar, vai sacudir e gritar com esse corpo frio e branco de novo.



O nome do quadro é "Quase monocromático demais". Feito com óleo em tela de 80x80.